Vá por essa estrada perdida, sem destino...em busca de não sabe o quê.
Caminhe mesmo, olhe para o que não existe, olhe para o que não pode ver, apanhe aquilo que não encontrou.
Deixe seu rastro na areia, deixe atrás de si uma cortina de poeira ou pingos de lágrimas no chão.
Vá procure o sol, as estrelas, busque a lua, o mar.
Tranque dentro de si o egoismo, jogue as pétalas e cultive os espinhos, apague para sempre todas as marcas.
Ame aquilo que não existe, deixe a realidade e sonhe ou resolva-se em pesadelos.
Vá, pense em coisas obscuras, transforme sua mente em objeto faça o errado e deixe o certo.
Esqueça tudo!
Caminhe, caminhe sempre e sempre mais e mais, além do além.
Vá chore as lágrimas que não rolam, expresse o sorriso que não sorri, cante o canto que ninguém vai escutar.
Fale para aqueles que já não ouvem, peça para aqueles que já não entendem, estenda a mão para aqueles que não sabe ver.
Vá, vá mesmo, talvez o seu destino é caminhar sempre e sempre, sempre...
Silvio Porfirio

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